Angústia de mãe

Mãe é um bichinho curioso. Parece ter 4 olhos, 10 braços e 10 mil preocupações. Pai, mesmo os mais preocupados e participativos, não são assim. Talvez esse comportamento tenha relação com a história e cultura de quando a divisão de tarefas era mais padrão e as mães cuidavam dos filhos e os pais ajudavam financeiramente. Então, é a mãe que se preocupa se o uniforme está lavado e passado, que horas dar o remédio, quando é hora de cortar o cabelo ou comprar novas roupas, pois seu pequeno está crescendo.

E é nessa mesma toada que são as mães as mais angustiadas com a aquisição de fala de seus filhos. Quando chegam ao meu consultório, em geral são elas que trazem a queixa. Mesmo quando o pai concorda, em geral é no tom de “será?”, ” talvez ele ainda se desenvolva sem ajuda…”.

É, mãe é mãe, e mesmo quando tudo conspira contra, graças a Deus ela toma a dianteira e procura por um profissional. Mesmo quando a mãe no telefone ao marcar uma consulta me passa alguma informação que dê indícios de que no caso do seu filho não haja um problema, dar espaço para que ela fale e tire suas dúvidas é essencial para que a criança possa ter um desenvolvimento de fala adequado.

Se essas dúvidas persistem, casos que poderiam se desenvolver adequadamente, podem se tornar patologia como ocorre nos casos de gagueira. É normal que hesitações ou repetição de sílabas ocorram entre dois anos e meio e quatro anos, quando tanto o vocabulário da criança aumenta  quanto a complexidade da sua linguagem. Mas se o medo dos pais de que a criança fique gaga se sobressai, atitudes como a de repreender o filho e falar para ele não gaguejar podem gerar ansiedade no mesmo e aí sim, a gagueira se desenvolver.

Ou seja, assim como um pouco de estresse é necessário para nos mover e buscar vivências novas, um pouco de angústia nos ajuda a buscar o melhor para nossos filhos.

 

*Este artigo foi desenvolvido para o Blog Mamãe Prática

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