Qual a origem dos problemas de fala?

   Uma das primeiras preocupações e indagações dos pais e até de alguns profissionais da saúde ao entrarem em contato com crianças com alguma dificuldade na comunicação é em relação à audição.

   Aliás, o próprio papel do fonoaudiólogo ainda está muito ligado aos deficientes auditivos e esta pressuposição vem de longa data.

   Apesar do número de deficientes auditivos ser elevado – 10% da população mundial apresenta  algum grau de deficiência auditiva –, nem sempre os problemas relacionados à linguagem oral  e escrita estão relacionados a este fator.

   Segundo estudos americanos, 8 a 10% da população de crianças e idosos apresenta alguma alteração na comunicação de ordem primária, ou seja, não há uma causa específica, orgânica  e direta para tais desordens.

   Portanto, os distúrbios articulatórios, atrasos na aquisição ou desenvolvimento da linguagem oral e escrita e alteração na fluência podem ter diversas causas e em geral não é possível a detecção das mesmas. Sabemos que as questões emocionais e ambientais influenciam nestes casos, mas relacioná-las como causa já é outra história.

  Não saber o que está causando estas dificuldades não quer dizer que não há tratamento  e nem  que elas se resolverão sozinhas. Muito pelo contrário. Na verdade, o tratamento nestes casos é com fonoaudiólogo.

   O fonoaudiólogo é um terapeuta que irá ajudar o paciente a reorganizar sua fala e isso vai partir dos sintomas, ou seja, do que a criança está apresentando e, claro, baseado no histórico da manifestação e da família.

   É difícil aceitar que exista um problema que não sabemos a causa, mas o mais importante é  que o tratamento dos mesmos é possível.

   Não é porque não há uma causa orgânica (como uma alteração neurológica ou uma deficiência auditiva) que as dificuldades devem ser desprezadas ou acreditar que elas se resolverão sozinho. Esta já é outra crença, também de longa data, mas que não encontra base científica.

   1. ANDRADE, C.R.F. de. Prevalência das desordens idiopáticas da fala e da linguagem em    crianças de um a onze anos de idade. Revista Saúde Pública, 31 (5): 495-501, 1997

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