Distúrbio de fala: uma questão de saúde

Todos estamos em busca de qualidade de vida, mas em geral pensa-se nesta como a ausência de dor ou mal-estar orgânico. Este conceito de doença já foi repensado e hoje sabemos que o mal-estar pode estar na nossa mente e também na nossa comunicação.

Por muito tempo, as dificuldades de comunicação, sejam em crianças ou em adultos, foram relegadas como condições de “doença” permanente ou como algo que melhoraria sozinho.

 Mas o homem não se cansou e foi atrás, buscando o melhor para si. Evoluímos e hoje o fonoaudiólogo é o profissional responsável pela reabilitação das crianças e adultos com dificuldades na comunicação. Mas ainda há aquelas pessoas que desacreditam nas intervenções fonoaudiológicas. Na clínica percebemos que realmente é um mito a criança superar por si só uma dificuldade e quando os pais pensam em procurar ajuda, muito já poderia ter sido feito.

Você já imaginou o sofrimento de seu filho tentando lhe dizer algo e você não conseguindo entender? A angústia, dor e medo que ele sente? Pois bem, este é um sofrimento que vai além do corpo e se imprime no ser que ali está se constituindo. Desde o nascimento há a interação do bebê com o outro, principalmente com seus pais, e é a partir desta relação que o desenvolvimento ocorrerá.

Inicialmente, a comunicação será pelo riso e pelo choro. Depois, os balbucios, que é o início da linguagem oral. Claro que o adulto não sabe exatamente o que a criança quer dizer com esses sons e repetição de sílabas, mas o adulto é capturado por esse dizer e imaginará o desejo dessa criança e dando sentido aos sons emitidos por ela.  Com nove meses aparecerão as primeiras palavras. É uma felicidade e algo muito mágico.

A evolução é muito rápida e lá pelos dois anos muitas outras palavras já existem e agora são combinadas, formando frases de duas palavras. Já aos três, perguntas como “o que é?” fazem parte da curiosidade da criança e da loucura que os pais viverão ao terem que responder cada questionamento. Aos quatro sua fala já está bem próxima da do adulto; conta histórias e faz pequenos relatos de situações passadas. Ainda pode apresentar dificuldade com o “r”, que é o último fonema (som) a ser adquirido pela criança. Esta aquisição deve ocorrer até os cinco anos, que é quando a criança já tem a fala como do adulto.

A partir de então as principais aquisições serão com relação a vocabulário e o aumento da complexidade do que será dito.

Então, vamos voltar um pouquinho na questão das dificuldades. Com base neste breve histórico do desenvolvimento da fala podemos perceber que até os cinco anos a criança deve se comunicar como um adulto. Se isso não está ocorrendo ou a fala do seu filho está muito diferente em relação às crianças de sua idade, algum desconforto já é possível imaginar que ele está sofrendo.

A partir daí, a qualidade de vida e o bem-estar desta criança estarão comprometidos, pois além de não conseguir se comunicar de uma maneira efetiva, ainda existirá ansiedade, nervosismo e até agressividade. É por isso que insisto: cuidar da comunicação é uma questão de saúde e o fonoaudiólogo pode lhe ajudar.

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